No primeiro artigo desta série eu abordei as questões filosóficas que me guiam quando eu sento na mesa pra draftar. A partir de hoje as coisas começam a ficar um pouco mais palpáveis na prática. Mas ainda não é a hora de abrir boosters, jovem Padawan. Antes disso vamos dar uma boa olhada no que nós e nossos oponentes podemos encontrar dentro deles.

Como o objetivo aqui é dar noções gerais do Draft, quero mostrar aqui o que procurar ao olhar pra uma edição, as características-chave, o que dar prioridade e o que evitar. Então vamos logo pro que interessa.

Arquétipos e Combinação de Cores

Uma das primeiras coisas a se olhar numa dição são as combinações de cores. Raramente acontece do seu deck no fim do draft ser de uma cor só, então vamos prestar atenção nos pares/trincas de cor que a pool de cartas tem a oferecer.

Observe se alguma combinação de cores tem alguma sinergia óbvia, como descarte/madness, reanimator/self mill ou algo parecido. Normalmente estes arquétipos tendem a ser bastante efetivos contra oponentes jogando com um baralho tradicional com criaturas e remoções.

Note que estes arquétipos se baseiam em cartas “enablers”, que “destravam” certo tipo de habilidade, e “payoffs”, que são as verdadeiras recompensas de se jogar com as habilidades/sinergias em questão. Verifique se as cartas “enablers” conseguem ser boas sozinhas, ou se são muito dependentes de suas contrapartes para serem realmente úteis. Verifique também quais destes enablers/payoffs são incomuns, pois nem sempre você consegue uma incomum específica durante o seu draft. Da mesma forma, se um payoff for realmente dependente de seu enabler pra ser útil, dê preferencia para ter os enablers antes, ou você pode terminar o draft com uma carta inútil na sua pool.

Remoções

Quais cores têm mais e melhores remoções? Quais remoções são incondicionais? existe remoção em massa? as remoções do formato me levam a espalhar o poder entre muitas criaturas ou proteger uma criatura grande com evasão pode ser um plano viável?

Essas perguntas devem estar na sua mente quando você for traçar seu plano de jogo antes de começar a jogar o Limited de uma coleção, e identificar as respostas pode te levar a dar preferência a certas cartas em detrimento de outras.

O Número Mágico

Provavelmente você já ouviu falar deste conceito, mas pode não estar muito familiarizado com ele. Quando se decide por montar um baralho, deve-se analisar o poder e a resistência das criaturas ao longo da curva de mana. O formato tem criaturas com mais poder que resistência, mais resistêcia que poder ou os dois equivalem? criaturas com mais resistência que poder são melhores defensivamente e normalmente seguram o jogo aé você conseguir fazer suas criaturas maiores e levam o jogo pro late game. Criaturas com mais poder que resistência causam mais estrago quando “conectam” ao oponente. Como normalmente o jogador atacante tem as manas disponíveis no seu turno, uma estratégia agressiva, com muitas criaturas, truques de combate e/ou evasão pode garantir a vitória. Num formato onde as criautas tem poder e resistência iguais, o combat fica mais complicado e as criaturas “se trocam” com frequência, fazendo com que as jogadas de “tempo” sejam bastante importantes.

Outro número mágico diz respeito ás remoções baseadas em dano nas criaturas. quando se tem muitas mágicas e efeitos que causam por exemplo 1 de dano à criatua alvo, ter criaturas com resistência 2 pode invalidar muitas jogadas do oponente.

Vantagem de Cartas

Depois de analisar pra qual direção as criaturas do formato esão apontando, se pro jogo longo ou pro jogo rápido, vamos ver qual tipo de vantagem é mais apropriada em cada situação. Num jogo longo, mágicas que compram cartas têm mais chances de serem efetivas, pois você pode “gastar seu turno” enchendo a mão graças ao tempo que suas criaturas defensivas te dão pra executar um plano de longo prazo. Caso o formato seja mas agressivo e você não tenha esse tempo, criaturas com efeitos desencadeados ao entrar em jogo podem gerar uma vantagem residual suficiente pra desequilibrar a partida a seu favor. Colocar fichas, ganhar vida, “reanimar” criaturas ou  voltar permanentes pra mão podem ser fontes de vantagem de cartas, ainda que virtual, e quebrar a paridade com o oponente, colocando-o em desvantagem especialmente quando a troca de criaturas é muito grande.

Olhe bem quais cores oferecem o tipo de vantagem que você considera mais adequado em cada situação e dê preferência a elas quando estiver em dúvida sobre qual carta escolher em um draft.

No próximo artigo vou explicar uma técnica muito útil na hora de ter os arquétipos em mente, não percam!

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