Antes de mudar completamente sua visão sobre o Modern. Não, calma.
Antes de falar bastante sobre o meu deck Modern favorito (melhorou) gostaria de dar a feliz notícia de que os meus artigos passarão a aparecer agora em dois lugares. Um deles é o de sempre, ghitufire, meu blog. O outro local é o novo e inovador ManaFix.net, site recheado com conteúdo de diversos formatos, artigos, podcasts, etc. Conteúdo produzido por uma galera que realmente tem a capacidade de tornar o site o melhor portal nacional sobre o nosso querido hobby.

Me sinto honrado de compartilhar minha escrita com eles, farei o possível para exceder às expectativas e produzir algo que eu goste e que seja útil para alguém!

Agora vamos lá. Infect.

Se você está lendo isso e pilota este deck, já deixo avisado aqui que NINGUÉM gosta de você. É sério, falam mal de você pelas costas, comemoram quando você não pode comparecer no Modern semanal da sua loja.

O motivo desse ódio todo é o que me anima a escrever essa tentativa de primer sobre o deck. Meu objetivo aqui não vai ser humilde.. mas não vai mesmo, vai ser bem ambicioso.

Eu quero que VOCÊ, sim, você mesmo, que está lendo e ainda não jogou com o deck, termine este artigo querendo fazer parte da lista de odiados, a lista de jogadores que

só precisa contar até 10.

O que é o Infect?

Infect é um arquétipo considerado Tier 1 no atual metagame do formato Modern, possuindo duas versões. UG e BG. A versão Simic, UG, é de longe a mais jogada e defendida por jogadores de nível profissional ao redor do globo, então é a lista que será focada aqui.

A ideia é, basicamente, abusar da habilidade de Infectar, usando criaturas como Elfo Brilhante somadas a pump spells, desferindo 10 pontos de veneno e matando o seu oponente. Simples, bem prático.

As criaturas com infectar sozinhas são relativamente fracas, suscetíveis à todas as formas de remoção, então parte do baralho é dedicada à formas de proteger sua criatura e fazer com que elas trespassem as criaturas do oponente, afinal você só quer saber de contar até dez na cara do seu oponente.

Por qual motivo o deck é tão odiado?

São inúmeras respostas, o que, por si só, já explica parte do ódio do inimigo e a minha paixão pelo deck. Vamos esmiuçar as principais:

Pumps

Infectar “não é Magic“.

Imagine o bom e velho Crescimento Desenfreado, presente no jogo desde Alpha, utilizado desde sempre para salvar o Ursos Cinzentos de Raio nos manuais de introdução ao jogo.

Agora imagine que o Ursos Cinzentos tem Infectar na sua caixa de texto.

O Urso ataca, seu oponente lança-lhe um Raio, o mago faz o seu Urso crescer desenfreadamente e o oponente toma 5 pontos de veneno, ao invés dos habituais 5 pontos de dano.

Se não me falha a matemática, como a regra de vitória diz que você tem que levar o seu oponente para zero pontos de vida ou agraciar-lhe com 10 pontos de veneno, temos metade do caminho andado nessa patada, ao invés do clássico 1/4 do caminho.

A nossa querida Wizards, ao criar a habilidade de Infectar, não levou em consideração o fato de que um pump sempre daria dano dobrado, se conjurado em uma criatura com tal habilidade. Jamais me convencerão do contrário.

Agora pare por um minuto. Contemple estas cartas:

Adicione na mistura o bônus de Exaltado da querida Hierarca Nobre e algumas fetches no cemitério para reduzir o custo com Esquadrinhar e temos uma morte rápida e certeira, com informação completa sobre a mão do oponente pra saber com convicção se podemos puxar o gatilho ou não.

Menção honrosa, ou desonrosa talvez, para as cartas com opção de Mana Phyrexiana, precisaria de um artigo inteiro só pra detalhar o quão extremamente broken estas cartas são. Redução de custo é SEMPRE roubado.

Sim, Tornar Imenso é relativo a +12/+12, na conversão.. E o melhor! Se encaixar, não tem como o seu oponente se livrar do veneno, diferente do dano normal, onde ele pode se curar.

“Ah mas nossa, olha a combinação de carta, é um deck combo ruim issaê”

Aí que entra a magia, mancebo! O deck é extremamente redundante, como você vai perceber na lista que eu postarei mais abaixo. São 12 a 13 criaturas com Infectar, uma infinidade de pumps e maneiras eficientes de proteger sua criatura e furar o bloqueio inimigo. Ou seja, são inúmeras combinações de “dano letal no turno 2, 3 ou 4”

E, [Spoiler Alert] você não é obrigado a dar os 10 pontos de uma vez. Qualquer 1 de infectar conectado já aumenta muito o número de combinação de cartas que você pode ter na mão que serão eventualmente letais para o seu oponente. Aí que entra o segundo motivo.

Medo

A maioria absoluta dos jogadores não sabe qual postura deve ter numa partida contra o deck. O Infect eventualmente mata no turno 3 ou até mesmo no turno 2? Sim, acontece, aí que entra o medo, que é tão vantajoso pra nós. Muitas vezes os jogadores deixam de desenvolver o seu jogo com medo de uma combinação de cartas (não muito provável) do tipo X+Y+Z do nosso lado, nos dando assim o tempo necessário para construir uma mão muito mais forte.

Aos olhos de muitos oponentes você sempre vai ter a vitória em mãos, então podemos tirar vantagem disso ao máximo. Ao contrário do que muitos imaginam, o jogo mais longo muitas vezes nos beneficia, por uma lógica bem simples. Nossos pumps custam 1, nossas proteções custam 1, nossas futuras criaturas custam 1 ou 2. Salvo decks com configuração de algo como 4 Raio, 4 Caminho para o Exílio, 4 counter de 1 mana.. todos os demais estão em desvantagem contra nós se não possuem algo na mesa nos pressionando, ativamente reduzindo nosso total de pontos de vida e diminuindo nosso tempo de alcançar o turno perfeito.

Vamos a uma das listas mais recentes do deck, pilotada por William Lou, rumo ao top 8 do WMCQ Australiano.

Terrenos (20)

Criaturas (13)

Outras Mágicas (27)

Sideboard (15)

Uma lista bem próxima da apresentada por Owen Turtenwald em meados de maio no site ChannelFireballVocê pode verificar a lista com as imagens das cartas AQUI.

Na lista você pode verificar a redundância do deck, responsável por alinhar tão bem o seu plano de jogo, bem como algumas respostas no main deck para o temido Desprezador de Mágica, na forma de 1 Corruptor Viridiano, 2 Imagem Distorcida e 1 Desmembrar/Dismember.

Eu não discordo da composição da lista, mas acredito que algumas alterações são necessárias, ou pelo menos devem ser testadas, tendo em vista a caminhada natural do metagame Modern.

Devido ao sucesso em eventos recentes, o deck cresceu em popularidade, mais até do que eu gostaria, chegando a um esperado de 10% do metagame, no final de junho, o que torna alguns ajustes para o mirror mais que necessários.

Claro que você deve sempre ajustar o deck para o metagame esperado, seja pro FNM da lojinha local, como pra um GP com mais de 1000 jogadores, mas eu acredito que é chegado o momento de o Infect voltar a ter dois ou mais Desprezador de Mágica entre as suas 75. Sim, o nosso Nêmesis faz uma função muito boa ao bagunçar os planos dos inúmeros decks que se apoiam em Raio como uma de suas principais remoções.

Mulligando

NUNCA mantenha uma mão de 7 cartas sem criaturas Infect. Simples assim. Na verdade eu mulligo até a grande maioria das mãos de 6 sem uma criatura Infect, mas eu tenho mulligado agressivamente em todos os formatos, então não sei se vale seguir isso como regra. A mão de 6 tem que ser MUITO boa pra eu considerar ficar com a mão sem a criatura com infectar, normalmente envolve algo pós-side, como uma Jaula do Escavador de Túmulos em mãos contra o novo Dredge, por exemplo.

EVITE manter mãos iniciais com mais de três terrenos, salvo caso um deles seja Nexo de Mosco-tintas, ou, raramente, Pendelhaven, se você tem conhecimento de qual é o deck do oponente. Algo como: fetch x2, Floresta, Nexo de Mosco-tintas, Elfo Brilhante, Hierarca Nobre e Vinhas de Matavasta eu considero um keep, mas trocando o Nexo por uma terceira fetch e já temos um claro mulligan. Uma amostra grandiosa de mãos de 6 são melhores que esse último exemplo, ao se somar a seleção da Vidência 1 que nos é garantida pelo mulligan.

Metagame ideal

Modern é um formato diverso, geralmente com mais de 25 decks diferentes aparecendo em torneios como, por exemplo, os WMCQs.

A grosso modo, os decks do Modern podem ser divididos entre Justos e Injustos.

Justos interagem com o que o oponente esta fazendo, trata-os como seres humanos, buscando construir uma vantagem no decorrer da partida e eventualmente conseguir a vitória.

Ex.: Jund, Junk, Jeskai Nahiri, Grixis, etc.

Injustos só querem saber do seu plano de jogo, não pretendem atrapalhar o jogador do outro lado da mesa, mas sim garantir que vão ser eficientes naquilo que se prontificaram a fazer. Se for um cone do outro lado da mesa, melhor.

Ex.: Infect, Dredge, Living End, Ad Nauseum, Affinity, etc.

Infect tira vantagem de um field amplo, com inúmeros decks querendo fazer o próprio jogo, uma vez que ele é geralmente muito mais rápido do que os demais Injustos. O mesmo field amplo atrapalha a vida dos Justos, que têm apenas 75 cartas para conseguirem reagir à tudo que está acontecendo à sua volta.

Ao meu ver quanto MAIOR o torneio melhor pro Infect, porque acredito necessário somar o fator “pet deck” na equação. Geralmente uma grande fatia dos jogadores de formatos Eternal joga com o seu deck favorito, o que amplia o field em número de arquétipos, uma vez que uma boa fatia de jogadores não escolhe baseado no que “ganhou na semana passada”, mas simplesmente ajusta as suas 75 e joga com aquilo que tem experiência, o que, no modern, representa uma infinidade de decks.

Vou encerrar por aqui, até pra não ficar uma leitura maçante e chata. Espero que nesses poucos parágrafos eu tenha conseguido pelo menos plantar a semente da curiosidade em você a respeito deste deck completamente estúpido de forte.

Chegamos ao final da parte I. Postarei a parte II em breve, contendo:

  • Ideias gerais sobre sideboard.
  • Detalhes sobre alguns match-ups específicos.Obrigado pela atenção! Até logo.
Anúncios